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Judeus ultraortodoxos investigados por proibirem mulheres de conduzir

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As crianças levadas de carro pelas suas mães à escola serão barradas das aulas quando estas recomeçarem em Agosto.

Escolas geridas por um grupo de judeus ultraortodoxos de Londres podem ser alvo de uma investigação oficial depois dos líderes do grupo terem proibido as mulheres da sua comunidade de levar os seus filhos de carro à escola.

O membro da comunidade Yanky Eljan defendeu a proibição, dizendo à AFP que esta “tem certas inflexibilidades”, mas que as “assume”

A proibição foi comunicada através de uma carta, que classifica as mulheres condutoras como “contrárias às regras da moderação religiosa” adoptadas pela comunidade judia de Belz, e avisa que as crianças levadas de carro pelas suas mães à escola serão barradas das aulas quando estas recomeçarem em agosto.

A secretária da Educação do Reino Unido Nicky Morgan, em comunicado citado pela agência France Presse (AFP), considerou hoje a proibição “completamente inaceitável na Grã-Bretanha moderna”, tendo a comunidade religiosa respondido que a regra é auto-imposta e faz parte dos seus direitos de liberdade religiosa.

“Se as escolas não promoverem activamente o princípio do respeito mútuo, estão a contrariar os padrões da educação independente”, declarou Morgan, acrescentando que “nas circunstâncias em que somos alertados para esses casos, investigaremos a situação e tomaremos as acções necessárias”.

O membro da comunidade Yanky Eljan defendeu a proibição, dizendo à AFP que esta “tem certas inflexibilidades”, mas que as “assume”.

“Se puser o meu filho na escola Eton, tenho a certeza que esta terá muitas regras, e eu tenho que as aceitar”, acrescentou, referindo-se a um conhecido estabelecimento de ensino inglês, associado com as elites do país.

“Não há comparação com a Arábia Saudita, lá as mulheres podem ser chicoteadas, não há [na nossa comunidade] nada como isso”, disse, declarando que a sua comunidade apenas quer ser deixada “em paz”.

Outro membro da comunidade, Judith Stein, negou que o grupo oprima as mulheres, e acusou o Jewish Chronicle, jornal judeu britânico que publicou a carta em questão, de ser tendencioso.

“Não me sinto maltratada, não me sinto degradada, não me sinto oprimida”, escreveu no seu blogue, declarando ter vivido “toda a vida deste modo” porque o escolheu.

“As mulheres são recolhidas e protegidas, não porque são mal olhadas ou forçadas a não sair de casa, mas porque são consideradas como jóias preciosas, diamantes, que precisam de ser protegidas a todo o custo”, escreveu Stein.

Dina Brawer, embaixadora britânica da Aliança Feminista Judia Ortodoxa, declarou ao Jewish Chronicle que a “proibição draconiana” se baseia simplesmente no “poder e controlo do Homem sobre a Mulher”.

“Neste mesmo sentido não é diferente da proibição de conduzir imposta às mulheres da Arábia Saudita”, disse, “e que se mascare como uma norma religiosa judaica é vergonhoso e perturbador”.

A comunidade Belz foi fundada na cidade homónima da Ucrânia no século XIX, e é hoje constituída por cerca de 10.000 famílias em todo o mundo, principalmente no Canadá e nos Estados Unidos.

No Reino Unido, cerca de 400 famílias pertencentes à comunidade vivem no bairro londrino de Stamford Hill, onde gerem duas escolas com centenas de alunos.

Fonte: Lusa/Sol

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